AABC (Associação Brasileira de Cinematografia), que tem como associados os técnicos responsáveis pela criação da imagem e som do audiovisual brasileiro, vem a público manifestar sua crescente preocupação com a forma com que os seus trabalhos vem sendo apresentados ao público, e propor uma ampla discussão ao longo de toda a cadeia produtiva (técnicos, produtores, realizadores, finalizadores, distribuidores, laboratórios, imprensa especializada, autoridades e instituições do cinema).
Esta iniciativa ganhou urgência face aos problemas técnicos constatados pelaABCdurante a exibição de muitos filmes nas últimas edições dos principais festivais e mostras realizadas no Brasil, e também na divulgação pelas emissoras de televisão, e tem por objetivo buscar, em conformidade com todos os envolvidos, a melhor forma de preservar a qualidade do audiovisual brasileiro, adotando padrões técnicos universais e aperfeiçoando os procedimentos ao longo do processo produtivo. Esse é um momento de acelerada transformação tecnológica – com todas as dificuldades e percalços que isso implica, e àABCcumpre agir no sentido de assegurar ao público a melhor qualidade possível na apresentação da obra audiovisual.
“O que existe por trás da pós-produção sonora de um filme? Quais as etapas envolvidas na finalização de som? Como é articulado o pensamento sonoro de um filme com as tecnologias que permitem criar um som 5.1, 6.1 ou 7.1?”
“Quais são as semelhanças e diferenças do processo criativo do som na animação em diferentes técnicas em relação ao cinema live-action? Como fazer um planejamento de som antes mesmo do início da animação? Como se dá o processo de lip sync? Quais as ferramentas atuais para a pós-produção de som? Como finalizar o som de um curta-metragem em animação?”
Estas são algumas das questões que serão abordadas nas duas oficinas oferecidas em novembro noMuseu da Imagem e do Som de São Paulo. Mais uma grande oportunidade de entrar em contato e se aprofundar no universo sonoro cinematográfico.
O primeiro trabalho da edição de som no cinema após o recebimento do filme montado é em cima dos diálogos e dos demais sons captados ao longo das filmagens pelo técnico de som direto. A edição de diálogo/som direto é de extrema importância e é a base para as demais etapas de edição de som.
John Purcell, autor do livro de maior referência sobre o assunto “Dialogue Editing for Motion Pictures: A Guide to the Invisible Art“, vem propagando o conteúdo desse também através de vídeos tutoriais. Dividido em 6 partes, os vídeos são uma boa oportunidade de entender melhor as funções, as responsabilidades, os fluxos e a organização do trabalho com a edição de diálogo no cinema.
Saiu na edição de setembro daRevista Produção Áudiouma matéria sobre os bastidores da trilha sonora da minissérie “9mm: São Paulo” da FOX, dirigida porMichael Ruman, abordando a pós-produção de som e o amadurecimento dentro dos processos de realização do seriado para a construção de uma banda sonora de qualidade. Clique na imagem abaixo para acessar a versão eletrônica da revista e conferir a matéria na íntegra nas páginas 26 a 36.
Nos tempos do 5.1, a tônica é sonorizar tudo. Não só que não hajam mais espaços para os silêncios mas principalmente há o predomínio de uma estética do exagero, um hiper-realismo sonoro onde tudo deve soar. Cada abraço é reforçado com um farfalhado de ruído de sala. Numa cena de rua devem soar os carros e as buzinas em todas as caixas. Esse é o papel dos ambientes na maior parte dos filmes, transportar o espectador para cena, fazê-lo ouvir o que se ouviria ali. Os editores de som se esforçam em reconstruir as paisagens acústicas com dezenas de pistas. Muito som, muita informação, onde nem sempre se faz necessário. Continue lendo
Desde “Pscicose” todo e qualquer espectador aprendeu a importância da trilha sonora para o universo do terror e do suspense. O que muitos não perceberam ainda é que em outros filmes deHitchcocksimplesmente prescindem da música e mesmo assim não causam um impacto menor, como em “Os Pássaros“, ou usam a música quase sempre dentro da cena, como em “Janela Indiscreta“. Assim também são os curtas deMarco DutraeJuliana Rojas, e também este “Trabalhar Cansa” que acaba de estrear nos cinemas. Tanto melhor que o espectador não perceba o quanto está sendo conduzido e manipulado por um universo sonoro construído e manipulado inteiramente.