Dec 1 2016

Uma outra escuta do filme “O Som ao Redor”

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Está disponibilizado para leitura e referência bibliográfica a dissertação de mestradoProcessos ao redor: uma discussão entre técnica e estética a partir de uma outra escuta do filme O som ao redor, de Léo Bortolin, defendida em agosto de 2016 pelo programa Multimeios, da Unicamp.

Num primeiro momento a entender qual o real papel do sound design num filme, essa nova expressão sonora que vem ganhando destaque e grande importância à narrativa fílmica, fomos induzidos a refletir o desenho de som do longa metragem brasileiroO Som ao Redor (2012), do diretor Kleber Mendonça Filho. Tudo isso surge pelo grande interesse do som no cinema, estimulado a fortalecer a valorização desse campo, pensar melhor suas articulações e assim trazer esse apanhado a prática cinematográfica, suportes necessários as iniciativas criativas. E foi justamente durante essa pesquisa que assinei a direção de som de dois filmes com uso instigante da narrativa sonora e com elementos expressivos para a melhor percepção fílmica, o curta Command Action (2015) vencedor de dois prêmios de Melhor Som (48° Festival do Cinema Brasileiro de Brasília e no 8° Curta Taquary – Festival Internacional de Curta Metragem – PE) e o curta A moça que dançou com o Diabo (2016), ganhador da “Menção especial do Júri” na competitiva Palme d’Or do Festival de Cannes, entre outros prêmios.

Contudo, ao longo do percurso percebi que falar de um único profissional de som não dava conta dentro do complexo sonoro do filme. E dessa forma os caminhos teóricos e metodológicos foram se formando conforme a pesquisa se desenvolvia, ficando uma questão muito presente: Podemos argumentar sobre diferentes concepções de som no cinema brasileiro, e dessa forma uma dificuldade cultural na aceitação de outra sonoridade que não a padronizada? Como grande desafio a sustentar, tivemos o interesse em argumentar que tal filme traz outro modo de escuta que ativa a atenção do espectador movimentando-o à reflexão, mais do que isso o filme vem propor uma quebra nas representações estabelecidas. Entretanto será que o filme e supostamente o diretor tinham essa real noção de construir um som diferente que impactasse a convencional escuta diante o complexo sonoro? Essa é uma hipótese que a pesquisa traz para justamente refletir junto com outros filmes, teóricos e profissionais de som no cinema, mas que não tem o objetivo de colocar um ponto final.

Acima disso, não podemos esquecer: são os diretores que devem ter compreensão do som que querem para seus filmes. Uns que não sabem de som e não querem saber, achando que tudo se resolve na pós. Outros que não sabem, mas que confiam no som e confiam no trabalho dos técnicos dando suporte e liberdade. E outros que tem total noção, inclusive de termos de produção e pós-produção.

Antes de comunicar, de ser musical, de agradar ou de informar, o som produz pensamentos e transições de afetos. Boa leitura!

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