Jan 15 2015

Entrevista com o diretor de som José Luis Díaz

JLD

Sou associada da Associação Brasileira de Cinematografia desde o ano 2000. Em 2002, realizamos no Rio de Janeiro o primeiro encontro de profissionais de som dentro da ABC. Para que realizássemos uma atividade em São Paulo no mesmo ano, convidei o Carlos Klachquin, que era o Consultor da Dolby para a América Latina, para dar uma palestra sobre a história da tecnologia sonora no cinema. Logo depois ele se associou à ABC e fizemos várias coisas juntos. Já em 2010, pensando em quem poderíamos convidar, de fora do Brasil, para um debate sobre som na Semana ABC. O Carlos me sugeriu o José Luis Díaz, e ele nos contou um pouco sobre o último trabalho que tinha realizado a Direção de Som de “O Segredo dos Seus Olhos“, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro daquele ano.

Nos anos seguintes continuamos a nos corresponder, quando foi convidado a participar do II Encontro Nacional de Profissionais de Som do Cinema Brasileiro, realizado no 8º Festival Cinemúsica em 2014, em Conservatória, RJ. Lá, ele e Guido Berenblum, que havia sido seu discípulo, realizaram uma mesa sobre o som no cinema argentino. Foi uma excelente oportunidade para que, através do som, pudéssemos estreitar os laços entre as nossas cinematografias.

O trabalho sobre o qual José Luis Díaz nos apresentou foi sobre a realização sonora de Relatos Selvagens, filme de enorme sucesso de público na Argentina e atualmente em cartaz no Brasil, onde também tem feito sucesso. José Luis tem um canal no Youtube onde generosamente disponibiliza informações sobre som no cinema. Recentemente, ele carregou 4 vídeos filmados durante uma palestra que coordenou durante a exposição da CAPER (Câmara Argentina de Provedores e Fabricantes de Equipamentos de Radiodifusão) no final de outubro de 2014.

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Jan 5 2015

O Som de “Relatos Selvagens” – Parte IV

Quarta e última parte da conversa sobre o som de “Relatos Selvagens” (Damian Szifrón, 2014) que ocorreu na CAPER 2014 (Câmara Argentina de Provedores e Fabricantes de Equipamentos de Radiodifusão). Falamos um pouco de dublagens.

O editor de diálogos de “Relatos Salvajes” foi Nahuel Palenque. As tarefas de edição foram tão trabalhosa que outro editor, Matías Vilaro, ficou responsável apenas pelo ajuste das dublagens, para não sobrecarregar ainda mais Nahuel. Durante a conversa não citei Nahuel Palenque. Mas aqui lhe dou o crédito.

José Luis Díaz, no início da conversa, mostra um trecho do filme “Vino para Robar”. José Luis chama a atenção para a frase “is not my fault”, onde é possível ouvir um ruído de fundo (as rodas do carro de travelling). Continue lendo


Dec 23 2014

O Som de “Relatos Selvagens” – Parte III

Terceira parte da conversa sobre o som de “Relatos Selvagens” (Damian Szifrón, 2014) que ocorreu na CAPER 2014 (Câmara Argentina de Provedores e Fabricantes de Equipamentos de Radiodifusão).

Gustavo Santaolalla conta brevemente sua relação com “Relatos Selvagens”, num vídeo mandado para a conferência. Fala também sobre edição básica de música.

José Luis Díaz comenta que a música é um elemento importante em um filme. O responsável pela música de “Relatos Selvagens” foi Gustavo Santaolalla, que mora em Los Angeles. Por isso ele não esteve presente na conferência e mandou um vídeo falando do processo de trabalho no filme. O primeiro contato dele com o filme foi quando estava de férias com sua família em Mendonza – Argentina, quando a produtora conseguiu entrar em contato com ele. Meses depois, de volta a Argentina, Gustavo toma conhecimento das histórias de “Relatos Selvagens” a partir da indicação de um amigo. Depois de ler o livro com os contos de “Relatos Selvagens“, Gustavo pede para que seu amigo lhe apresente a Damian Szifrón, pois queria participar do filme. Finalmente, na Bélgica, os dois se conheceram pessoalmente. Na ocasião acontecia o festival de Ghent, festival de música e teatro, onde Gustavo Santaolalla participava como jurado.

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Dec 20 2014

O Som de “Relatos Selvagens” – Parte II

Segunda parte da conversa sobre o som de “Relatos Selvagens” (Damian Szifrón, 2014) que ocorreu na CAPER 2014 (Câmara Argentina de Provedores e Fabricantes de Equipamentos de Radiodifusão). O tema desta segunda parte foi o desenho sonoro de ambientes e efeitos. Quem fala sobre este assunto é o editor de som Gonzalo Matijas.

José Luis Díaz, sound designer do filme, comenta que o editor Pablo Barbiere trabalhou bastante. Quando ele terminou, o diretor seguiu editando e mudando a ordem das histórias dentro do filme. E este trabalho durou muito tempo. Quando o diretor terminou de editar, o material foi para pós-produção de som e Gonzalo Matijas começou a fazer o desenho de ambientes e efeitos do filme (ao mesmo tempo que Nahuel Palenque fazia a edição de diálogos).

Gonzalo comenta que um dos maiores desafios do filme foi lidar com 6 histórias diferentes, cada uma com seus momentos de tensão narrativa e desfecho independentes. Num filme normal, existem alguns momentos chaves onde o desenho de ambientes e efeitos é mais exigido. Em “Relatos Salvajes” haviam 6 histórias. Cada uma com suas complicações narrativas que exigiam mais do trabalho de desenho de som. O trabalho do som direto de fazer coberturas de sons nas locações (wild track) facilitou bastante o trabalho na pós-produção.

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Dec 18 2014

O Som de “Relatos Selvagens” – Parte I

Primeira parte da conversa sobre o som de “Relatos Selvagens” (Damian Szifrón, 2014) que ocorreu na CAPER 2014 (Câmara Argentina de Provedores e Fabricantes de Equipamentos de Radiodifusão).

O filme”Relatos Selvagens” é formado por 6 histórias diferentes que têm como mote a violência. O tema desta primeira parte foi a captura de som direto. Quem fala sobre este assunto é Javier Farina, diretor de som direto do filme.

Javier comenta que o fato do filme ser formado por 6 histórias diferentes trouxe um agravante no momento da captação de som direto. Num filme usual, onde há apenas 1 história central com os mesmos personagens do início ao fim, o técnico em som direto acaba conhecendo bem cada ator e isso ajuda no momento de planejar a captação de som. No caso de Relatos Selvagens, a equipe tinha cerca de 2 semanas para filmar cada história, a dificuldade era tentar conhecer uma quantidade enorme de personagens em pouco tempo. Isso fez com que o trabalho durante as filmagens fosse bem dinâmico. Era como se estivessem filmando 6 filmes num espaço de tempo de um longa.

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