Nov 1 2013

Restauração de Som no Cinema Brasileiro

José Luiz Sasso é um dos maiores, se não o maior especialista do Brasil em restauração de som de filmes. Após uma agradável tarde de aprendizados nJLS Facilidades Sonoras com esta lenda viva do som do cinema brasileiro, reproduzo aqui um pouco da história e das especificidades práticas desse importante trabalho de preservação audiovisual.

“A história da restauração no Brasil começa comigo quando o Lauro e o Eduardo Escorel queriam trazer à vida de novo o filme “Cavalinho Azul” (Eduardo Escorel, 1984) e o “Sonho Sem Fim” (Lauro Escorel, 1985), ambos eu mixei na Álamo. E eles tinham as fitas de ¼ desses filmes guardadas em Nagra. Isso era o back up da mixagem do perfurado 35mm. Eles me ligaram, querendo restaurar o som do filme e eu me propus a fazer. Mas eu não tinha o Nagra, então o Geraldo Ribeiro que transcreveu para um arquivo wave (estamos falando a 24 quadros). E aí chegaram as imagens pra mim. Acho que eles iam exibir na TV Cultura aqui em São Paulo, mas não queriam o som do telecine da cópia. Neste caso, na verdade não foi uma restauração literal, mas foi uma re-masterização. Já que estava em fita de ¼, a qualidade era absolutamente normal, ainda mais gravado em Nagra. E aí a gente passou em um software, tiramos o chiado, tiramos um pouco daquela característica do cinema monofônico de ser um pouco mais rico em médias frequências… se criou um pouco mais de graves… Então, eu re-masterizei esses dois filmes. E aí isso ficou aí perdido. Foi mais ou menos em 2003 ou 2004, não me lembro exatamente. Mas nessa época ninguém falava em restauração ainda.

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Sep 13 2013

R.I.P. Ray Dolby

Ray Dolby, engenheiro fundador da Dolby Laboratories, morreu nesta quarta-feira, 12 de setembro de 2013, com 80 anos de idade. Mr. Dolby é reconhecido em todo o mundo pelo pioneirismo no desenvolvimento de tecnologias de áudio inovadoras, e que muito melhoraram a gravação e reprodução do som, como sistemas de redução de ruído ou “noise reduction“ (a exemplo: Dolby A, Dolby SR, etc.), sistemas de compressão de sinais de áudio e padrões de som surround como o Dolby Stereo e o Dolby Digital (AC-3), muito utilizados pela indústria cinematográfica.

Fica a homenagem a este grande cientista artesão que tanto contribuiu para o progresso do universo sonoro do cinema.


Mar 23 2013

Alerta: Arma Sônica

Tirem seus protetores auriculares do armário!

O “dispositivo de longo alcance acústico” conhecido pela sigla LRAD (Long Range Acoustic Device), é um equipamento que emite um intenso ruído de alta freqüência e que pode causar lesões auriculares permanentes em distâncias próximas. O emprego do LRAD vem sendo explorado também pelas forças de segurança do mundo inteiro como uma potente arma sonora não-letal utilizada para o “controle” de multidões. No Brasil, foi usada pela primeira vez esta semana para conter os manifestantes diante da desocupação da Aldeia Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro. No vídeo abaixo você confere o momento em que a policia militar carioca utiliza o LRAD

 

Woody Norrys é o norte-americano inventor do LRAD. Ele também desenvolve outros projetos que tratam o som de maneira inovadora, como pode ser notado em sua palestra para a fundação TED:

 
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Feb 18 2013

“Estúdio 3″ JLS e o fim de uma era do som no cinema brasileiro

Hoje, 18 de fevereiro de 2013, um pouco da história do som no cinema brasileiro deixou de existir. Depois de 15 anos ininterruptos de atividades, desmontamos o velho “ESTÚDIO 3” da JLS Facilidades Sonoras, que foi a primeira sala credenciada pela Dolby Laboratories no Brasil para mixar filmes com som Dolby Digital 5.1. Nele, foram mixados mais de 190 filmes de longas-metragens, algo como 200 curtas, pelo menos 40 Print Masters em Dolby Digital de filmes mixados em outros estúdios, além de algumas dezenas de restaurações sonoras como: a obra de Glauber Rocha, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Mazzaropi, entre tantos outros cineastas que fizeram e ainda fazem parte da história do nosso Cinema.

A velha mesa Cinemix, a primeira que chegou neste país em maio de 1998 para atender ao então “novo formato sonoro” (Dolby Digital), assim como um velho Wave Frame e tantos outros equipamentos da “velha guarda analógica”, agora não mais existe. Digamos que essa maravilhosa parafernália “análoga-digital” foi ao encontro de tantas outras que hoje não faz ou tem um maior sentido operacional. Enfim… Aqui fica meu registro de um momento muito triste, porém que dará início ao novo “ESTÚDIO 3”, totalmente reformado e modernizado.

Abraços,

Zé Luiz Sasso

Confira as fotos do finado “Estúdio 3″ abaixo:

Como era até 15/02/2013

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Jan 30 2013

Homenagem a Stefan Kudelski: inventor do Nagra

O cinema sonoro trilhou um longo caminho até que soluções técnicas e mercadológicas fossem encontradas para o seu total estabelecimento. A primeira solução encontrada foi a gravação em discos (de 1927 a 1932) que logo foi substituída pela gravação ótica, que depois foi substituída pela gravação magnética e depois pela digital.  

A gravação magnética do som foi descoberta pelos alemães durante a II Guerra Mundial. Somente com a invasão da Alemanha, em 1945, é que os aliados tiveram acesso ao gravador Magnetofone. A partir daí, os americanos desenvolveram esta tecnologia para ser usada nos estúdios de cinema. Mesmo substituindo a tecnologia da gravação ótica do som pela gravação magnética nas filmagens, usando gravadores como o Rangertone ou o Ampex, estes gravadores ainda eram pesados (quase 30 Kg) e precisavam ser alimentados pela rede elétrica ou por geradores para manterem o sincronismo com a câmera, não eram portáteis.

Foi nesse cenário que surgiu um gravador magnético de som portátil que fez história: o Nagra, e que se tornou um sinônimo de gravador para cinema durante mais de 20 anos. Em 1948, o pequeno transistor substitui as válvulas e, em 1951, o polonês radicado na Suíça, Stefan Kudelski, desenvolve o primeiro gravador portátil de som em fita magnética, chamado Nagra I. O nome “Nagra” vem do polonês e quer dizer “vai gravar”.

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