O “dispositivo de longo alcance acústico” conhecido pela sigla LRAD (Long Range Acoustic Device), é um equipamento que emite um intenso ruído de alta freqüência e que pode causar lesões auriculares permanentes em distâncias próximas. O emprego do LRAD vem sendo explorado também pelas forças de segurança do mundo inteiro como uma potente arma sonora não-letal utilizada para o “controle” de multidões. No Brasil, foi usada pela primeira vez esta semana para conter os manifestantes diante da desocupação da Aldeia Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro. No vídeo abaixo você confere o momento em que a policia militar carioca utiliza o LRAD.
Woody Norrysé o norte-americano inventor do LRAD. Ele também desenvolve outros projetos que tratam o som de maneira inovadora, como pode ser notado em sua palestra para a fundaçãoTED:
Hoje, 18 de fevereiro de 2013, um pouco da história do som no cinema brasileiro deixou de existir. Depois de 15 anos ininterruptos de atividades, desmontamos o velho “ESTÚDIO 3” da JLS Facilidades Sonoras, que foi a primeira sala credenciada pela Dolby Laboratories no Brasil para mixar filmes com som Dolby Digital 5.1. Nele, foram mixados mais de 190 filmes de longas-metragens, algo como 200 curtas, pelo menos 40 Print Masters em Dolby Digital de filmes mixados em outros estúdios, além de algumas dezenas de restaurações sonoras como: a obra de Glauber Rocha, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Mazzaropi, entre tantos outros cineastas que fizeram e ainda fazem parte da história do nosso Cinema.
A velha mesa Cinemix, a primeira que chegou neste país em maio de 1998 para atender ao então “novo formato sonoro” (Dolby Digital), assim como um velho Wave Frame e tantos outros equipamentos da “velha guarda analógica”, agora não mais existe. Digamos que essa maravilhosa parafernália “análoga-digital” foi ao encontro de tantas outras que hoje não faz ou tem um maior sentido operacional. Enfim… Aqui fica meu registro de um momento muito triste, porém que dará início ao novo “ESTÚDIO 3”, totalmente reformado e modernizado.
O cinema sonoro trilhou um longo caminho até que soluções técnicas e mercadológicas fossem encontradas para o seu total estabelecimento. A primeira solução encontrada foi a gravação em discos (de 1927 a 1932) que logo foi substituída pela gravação ótica, que depois foi substituída pela gravação magnética e depois pela digital.
A gravação magnética do som foi descoberta pelos alemães durante a II Guerra Mundial. Somente com a invasão da Alemanha, em 1945, é que os aliados tiveram acesso ao gravador Magnetofone. A partir daí, os americanos desenvolveram esta tecnologia para ser usada nos estúdios de cinema. Mesmo substituindo a tecnologia da gravação ótica do som pela gravação magnética nas filmagens, usando gravadores como o Rangertone ou o Ampex, estes gravadores ainda eram pesados (quase 30 Kg) e precisavam ser alimentados pela rede elétrica ou por geradores para manterem o sincronismo com a câmera, não eram portáteis.
Foi nesse cenário que surgiu um gravador magnético de som portátil que fez história: o Nagra, e que se tornou um sinônimo de gravador para cinema durante mais de 20 anos. Em 1948, o pequeno transistor substitui as válvulas e, em 1951, o polonês radicado na Suíça,Stefan Kudelski, desenvolve o primeiro gravador portátil de som em fita magnética, chamado Nagra I. O nome “Nagra” vem do polonês e quer dizer “vai gravar”.
Estudando a história da estética do som no cinema de animação, que por sinal é muito rica em experimentações sonoras que vão desde a criação de técnicas de composição musical para filme, como a famosa “mickey-mousing” onde a música é criada seguindo precisamente a ação dos personagens; à literalmente desenhar o som na película, comoNorman McLarenfazia com perfeição:
Dois curtas-metragens me chamaram a atenção pela simplicidade e a criatividade do trabalho com os efeitos sonoros:Continue lendo
Blow Out – Um Tiro na Noite(Brian De Palma, 1981) é um dos bons exemplos de filme onde o som tem papel fundamental e está extremamente atrelado à narrativa desde o roteiro. Para homenagear esse clássico filme sonoro, encontrei uma interessante análise do som deBlow Outproduzida pela aluna Larissa Cavalcanti como trabalho para a disciplina “Captação de Som” do curso de Cinema da UFPE.
Para os amantes do sound design, aficionados por Star Warsou mesmo fãs de Ben Burtte John Williamsque ainda não se contentaram com o livro “The Sounds of Star Wars“, nem com a variedade de materiais sobre o desenho de som de Star Warsdisponibilizados no grande site filmsound.org, o aplicativo onlineStar Wars Soundboards é uma ótima oportunidade para quem quer se entreter editando o som e mixando narrativas sonoras com uma diversidade de amostras extraidas da trilha sonora dessa série de filmes que tanto fez história.
“Mr. Foley” é um premiado curta-metragem de 2009 dirigido pelaD.A.D.D.Y. (dupla dos cineastas irlandeses Mike Ahern e Enda Loughman). O filme ressalta o poder de expressão inserido no trabalho com o som e nos diverte com essa magia.
“Alguns princípios são fundamentais para construirmos uma sociedade acusticamente saudável, onde possamos viver dentro dos sons da vida. O respeito pela voz e pela palavra, a consciência sonora, o despertar da audição. Preservar os sons que tendem a desaparecer, mas ter abertura para os sons que nascem com cada novo passo tecnológico. Construir uma linguagem sonora que interprete o seu simbolismo. Aceitar o silêncio, impondo-o nas alturas certas. E, acima de tudo, ouvir.” (Raquel Castro, diretora de Soundwalkers)
“No mundo dominado pela imagem, a Arte Sonora acaba trazendo o som de volta ao primeiro plano. Muitos artistas do mundo inteiro colocam o som como matéria prima para expressar suas idéias.”
“Mixagem de som, mais ou menos a mesma coisa que edição de som…”. Assim disse o crítico de cinema Rubens Ewald Filhoapresentando o Oscar 2012na televisão brasileira. Hoje são quatro os prêmios da AMPAS(Academy os Motion Pictures Arts and Sciences) que contemplam os profissionais de som. São eles: Melhor Canção Original (Best Original Song), Melhor Trilha Musical (Best Original Score), Melhor Edição de Som (Best Sound Editing) e Melhor Mixagem (Best Sound Mixing). Os dois primeiros, mais fáceis de serem compreendidos, não costumam gerar muita polêmica. Inclusive foi no prêmio de Melhor Canção Original que os brasileiros Carlinhos Brown e Sergio Mendes, criadores da música “Real in Rio” da animação Riode Carlos Saldanha, foram selecionados para concorrer. Agora, qual seria a diferença entre o prêmio de Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem? Ou por que exatamente existem esses dois prêmios de som?