AAssociação Brasileira de Cinematografia(ABC) que já está nos preparativos daSemana ABC 2013, disponibilizou para download os vídeos das mesas daSemana ABC 2012que aconteceu entre os dias 09 e 11 de maio do ano passado naCinemateca Brasileira, em São Paulo. O destaque vai para a Mesa 9 com o tema: “O som no cinema contemporâneo: conceitos e novas tecnologias“.
“A opção estética de um filme influencia diretamente as escolhas técnicas e o fluxo de trabalho com o som. Discutir o uso do som no cinema contemporâneo é refletir sobre a importância de se pensar a sonoridade de um filme durante todo o processo criativo, isto é, desde o roteiro. Em última instância, é também analisar a contribuição das novas tecnologias para o processo criativo”
Participação do convidado internacionalGuido Berenblum (técnico de som direto, editor e diretor de som argentino).
Palestrantes:Eduardo Santos Mendes(sound designer e professor de som da ECA/USP) e Tide Borges(técnica de som e professora da disciplina “Direção de Som” na FAAP).
O vencedor doGlobo de Ouro 2013de melhor musical e vencedor doOscar 2013de melhor mixagem “Os Miseráveis” (Tom Hooper, 2012) protagonizou um processo de produção sonora inédito na história dos musicais. Pela primeira vez, todas as ações e as canções foram gravadas totalmente com som direto. Contando com o excelente trabalho do técnico de som diretoSimon Hayes, do supervisor de edição de músicaGerard McCanne suas equipes, o som da superprodução foi destaque na revistaAudiomedia de dezembro de 2012(artigo em inglês) e no textoO Som e a Fúriado site d’O Globo Cultura. Assista também o vídeo sobre o processo de gravação do filme:
Ampliar a consciência das pessoas para com o potencial do som e o quanto ele nos afeta diariamente é um grande desafio contemporâneo.Julian Treasure, autor do livroSound Businesse que ha mais de 10 anos trabalha com a matéria sonora e estuda seu impacto nos seres humanos, é também um novo expoente da importância do desenvolvimento de uma melhor compreensão do universo de sons que nos cerca.
Nos vídeos abaixo você confere quatro palestras realizadas porJulian Treasurepara a fundaçãoTEDsobre como melhor podemos utilizar nossos ouvidos:
Hoje, 18 de fevereiro de 2013, um pouco da história do som no cinema brasileiro deixou de existir. Depois de 15 anos ininterruptos de atividades, desmontamos o velho “ESTÚDIO 3” da JLS Facilidades Sonoras, que foi a primeira sala credenciada pela Dolby Laboratories no Brasil para mixar filmes com som Dolby Digital 5.1. Nele, foram mixados mais de 190 filmes de longas-metragens, algo como 200 curtas, pelo menos 40 Print Masters em Dolby Digital de filmes mixados em outros estúdios, além de algumas dezenas de restaurações sonoras como: a obra de Glauber Rocha, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Mazzaropi, entre tantos outros cineastas que fizeram e ainda fazem parte da história do nosso Cinema.
A velha mesa Cinemix, a primeira que chegou neste país em maio de 1998 para atender ao então “novo formato sonoro” (Dolby Digital), assim como um velho Wave Frame e tantos outros equipamentos da “velha guarda analógica”, agora não mais existe. Digamos que essa maravilhosa parafernália “análoga-digital” foi ao encontro de tantas outras que hoje não faz ou tem um maior sentido operacional. Enfim… Aqui fica meu registro de um momento muito triste, porém que dará início ao novo “ESTÚDIO 3”, totalmente reformado e modernizado.
Vulgo Somé um documentário sobre a concepção sonora para o audiovisual com depoimentos de compositores de música para imagem, editores de som, especialistas e estudiosos do som. Dirigido por Almir Chiaratti, o projeto também conta com uma web série realizada a partir do material produzido para o documentário.
No primeiro episódio, você confere o depoimento do produtor musicalDavid Tygelsobre as relações entre diretor e compositor.
O cinema sonoro trilhou um longo caminho até que soluções técnicas e mercadológicas fossem encontradas para o seu total estabelecimento. A primeira solução encontrada foi a gravação em discos (de 1927 a 1932) que logo foi substituída pela gravação ótica, que depois foi substituída pela gravação magnética e depois pela digital.
A gravação magnética do som foi descoberta pelos alemães durante a II Guerra Mundial. Somente com a invasão da Alemanha, em 1945, é que os aliados tiveram acesso ao gravador Magnetofone. A partir daí, os americanos desenvolveram esta tecnologia para ser usada nos estúdios de cinema. Mesmo substituindo a tecnologia da gravação ótica do som pela gravação magnética nas filmagens, usando gravadores como o Rangertone ou o Ampex, estes gravadores ainda eram pesados (quase 30 Kg) e precisavam ser alimentados pela rede elétrica ou por geradores para manterem o sincronismo com a câmera, não eram portáteis.
Foi nesse cenário que surgiu um gravador magnético de som portátil que fez história: o Nagra, e que se tornou um sinônimo de gravador para cinema durante mais de 20 anos. Em 1948, o pequeno transistor substitui as válvulas e, em 1951, o polonês radicado na Suíça,Stefan Kudelski, desenvolve o primeiro gravador portátil de som em fita magnética, chamado Nagra I. O nome “Nagra” vem do polonês e quer dizer “vai gravar”.
OGrupo Estudos do Som e da Música no Audiovisual(GESSOMA), ligado ao Programa de Pós-Graduação em Imagem e Som e ao Departamento de Artes e Comunicação daUFSCar, disponibilizou o vídeo de registro do debate promovido esta semana com o tema “O som no cinema como campo de pesquisa”. Os participantes foram os Professores Doutores Fernando Morais da Costa (UFF), Rodrigo Carreiro (UFPE) e Suzana Reck Miranda (UFSCar). Segue o vídeo do debate dividido em duas partes:
Confira também a entrevista com os pesquisadores realizada pelaRUA(Revista Universitária do Audiovisual):
Como extensão de sua edição 58, “O Som Nosso de Cada Filme“, a RevistaFilme Cultura também disponibilizou em seu site materiais extras que complementam essa edição dedicada ao som no cinema.
Destaque para o podcastO Lugar do Somque contém o áudio na íntegra da mesa-redonda promovida pela Faculdade de Artes do Paraná em 2012, com os participantes: Ney Carrasco (compositor, professor e coordenador do Grupo de Pesquisa em Música Aplicada à Dramaturgia e ao Audiovisual da Unicamp);Eduardo Santos Mendes(sound designer e professor da ECA/USP); eAlessandro Laroca(editor de som, sound designer e mixador). A mediação foi deDemian Garcia(professor de Som e Trilha Sonora no curso de Cinema da FAP).
E o estudo audiovisual realizado pela pesquisadora Georgia Cynarasobre o uso de canções em Terra estrangeira (Walter Salles e Daniela Thomas, 1996).
32 anos após o lançamento do dossiê “Som e Cinema” naedição 37da RevistaFilme Cultura(considerado uma das primeiras publicações brasileiras centradas especificamente na discussão sobre o som cinematográfico), as configurações sonoras do cinema nacional estão novamente em pauta em suaedição de número 58.
“O Som Nosso de Cada Filme” é uma grande homenagem ao universo sonoro cinematográfico brasileiro e conta com artigos de estudiosos e profissionais do som no país; uma entrevista exclusiva comMichel Chion, o mais famoso teórico do assunto; além de uma diversidade de materiais que colaboram para a ampliação da consciência sonora na “sétima arte”.
Walter Goulart é um dos profissionais do som cinematográfico mais experientes do Brasil em atividade. Com mais de 50 anos de carreira e uma centena de filmes no currículo, é pioneiro da captação e da engenharia do som no país. Destaque para seu trabalho sonoro nos filmes O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (Glauber Rocha, 1969), Pindorama (Arnaldo Jabor, 1971), São Bernardo (Leon Hirszman, 1972), Dona Flor e Seus Dois Maridos (Bruno Barreto, 1976), dentre muitos outros.